MASP apresenta primeira retrospectiva de Sandra Gamarra Heshiki – Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal. – Legenda Sandra Gamarra, Doble [Duplo], 2023, Acervo MASP. Foto: Eduardo Ortega.
Com pinturas e instalações, a exposição intitulada Réplica questiona como a história da arte é contada nos museus e propõe um novo olhar sobre a herança colonial.
O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 6 de março a 7 de junho, a primeira exposição panorâmica de Sandra Gamarra Heshiki (Lima, Peru, 1972).
A mostra Sandra Gamarra Heshiki: réplica reúne mais de 70 obras, entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo, propondo uma retrospectiva dos últimos 25 anos de uma produção que ressignifica obras de arte e objetos para contestar o sistema artístico e a herança colonial que permeia os museus.
A curadoria é de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Florencia Portocarrero, curadora independente; Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP; e Sharon Lerner, diretora artística do MALI — Museo de Arte de Lima, instituição parceira na organização e que exibirá a mostra, em versão adaptada, após sua apresentação no MASP.
Em suas obras, a artista questiona o papel dos espaços culturais e como suas práticas impactam a produção artística. Essa crítica institucional motivou a criação, em 2002, do museu fictício LiMac — Museo de Arte Contemporáneo de Lima.
Esse museu imaginário, que existe como arquivo em um website, respondia tanto à ausência de um museu de arte contemporânea em Lima na época quanto ao modo como muitas instituições ainda contam a história a partir de um ponto de vista de matriz europeia.
“Se o museu é um lugar a partir do qual a história é ditada, por que não criar um museu que, sob o mesmo manto de autoridade e permanência institucional, conte uma história diferente? Um museu que possa olhar para si mesmo, questionar-se, complexificar suas próprias narrativas e contar mais do que histórias de progressão linear”, afirma Gamarra.
Para evidenciar como a história da arte é construída por meio de recortes, exclusões e hierarquias, a cronologia clássica é intencionalmente plagiada nessa exposição.
“Em Réplica, Gamarra reflete, literalmente, o espaço, sobretudo a cronologia dos museus enciclopédicos, a matriz linear da história tão criticada por Lina Bo Bardi, mas que de algum modo é hegemônica no modelo de organização dos museus, tanto nas metrópoles como em suas ex-colônias.
Assim, a artista produz aqui sua réplica de uma exposição de parte de seu acervo-obra, convertendo-o em um museu com seus fragmentos e aglutinando marcadores destrinchados por toda a sua carreira”, afirma Giufrida.
Assim, em Réplica, as obras de Gamarra são apresentadas nos núcleos: “pré‑colonial”, “colonial”, “pós‑independência”, “moderno” e “contemporâneo”, além de uma sala dedicada ao LiMac.
A produção de réplicas para ressignificar cânones da arte, subverter discursos colonizadores e resistir a estruturas excludentes é central na obra de Gamarra. Em Recurso VII (2019), a artista parte das paisagens aparentemente pacíficas de Pernambuco pintadas por Frans Post (Haarlem, Países Baixos, 1612–1680) durante missões europeias no Brasil.
Na versão da artista, esses cenários são recriados com óxido de ferro, matéria-prima usada por povos originários nas Américas em pinturas rupestres e cerâmicas.
Além de reverenciar essas culturas ancestrais, o material vermelho escorre pela tela remetendo ao sangue e à violência da colonização. A pintura também tem uma faixa branca, elemento usado pela artista para diferenciar suas réplicas das obras originais.
Esse recurso também está presente em Duplo (2023), realizada na semana final da montagem de Histórias indígenas, da qual Gamarra foi uma das curadoras, no núcleo “Pachakuti: o mundo de cabeça para baixo”.
Ao saber que a obra Habitante de las cordilleras del Perú [Habitante das cordilheiras do Peru] (1855), de Francisco Laso (Tacna, Peru, 1823 – San Mateo, Peru, 1869) não viria para a exposição por problemas burocráticos em seu país, a artista produziu sua própria réplica para preencher essa ausência.
A obra, porém, não é uma cópia idêntica. Além da faixa branca, Gamarra apresenta a figura de Laso invertida, de cabeça para baixo.
Essa alteração é um exemplo direto de seu projeto de “inverter o museu” e se conecta ao conceito de Pachakuti, termo de origem andina que pode ser traduzido como “o mundo de cabeça para baixo”, referindo-se a transformações radicais na ordem existente.
MASP apresenta primeira retrospectiva de Sandra Gamarra Heshiki

Sandra Gamarra Heshiki: réplica integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón e Silät, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Santiago Yahuarcani e Sol Calero.
SOBRE A ARTISTA
Sandra Gamarra Heshiki (Lima, Peru, 1972; vive e trabalha em Madri, Espanha) é descendente de famílias com raízes andinas, afro-peruanas e japonesas.
Formou-se em pintura pela Pontificia Universidad Católica del Perú e, desde o final dos anos 1990, desenvolve uma prática que articula, principalmente, pintura, crítica institucional e pensamento decolonial.
É a primeira artista não nascida na Espanha a representar o país na Bienal de Veneza, na 60ª edição do evento, em 2024, quando apresentou o projeto Pinacoteca Migrante. Além do MASP, sua obra também integra coleções como MoMA (Nova York), Tate Modern (Londres), Museo Reina Sofía (Madri), MALI (Lima), entre outros.
ACESSIBILIDADE
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante.
São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras.
Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
CATÁLOGO
Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial de Adriano Pedrosa e Guilherme Giufrida e conta com ensaios de Giufrida, além dos autores convidados Agustín Pérez Rubio, Florencia Portocarrero, Luis Eduardo Wuffarden, Sharon Lerner e Ximena Briceño.
LOJA MASP
Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais de Sandra Gamarra Heshiki: réplica, que incluem postais, ímãs e marca-páginas.
REALIZAÇÃO
Sandra Gamarra Heshiki: réplica é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e do PROAC-ICMS. Tem apoio cultural do Consulado Geral do Peru em São Paulo.
SERVIÇO
Sandra Gamarra Heshiki: réplica
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Florencia Portocarrero, curadora convidada, MALI; Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP; e Sharon Lerner, diretora, MALI
6.3 — 7.6.2026
Edifício Lina Bo Bardi, 1º andar
MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h
(entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e
domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)
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Fonte imprensa@masp.org.br Assessoria de Imprensa – Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal
